2020 | 2021

Como pensar e criar espaços mais igualitários e democráticos? Se partirmos da afirmação de que a cidade deve ser feita para todas e todos, oferecendo múltiplas possibilidades de vivências aos cidadãos, levando em consideração todas as etapas da vida, abrimos a perspectiva da necessidade de desenvolvimento de territórios educativos e inclusivos. Essa perspectiva é amplamente defendida pela Fundação Bernard van Leer, através do Projeto Urban95, que nos provocou a pensar a primeira infância como motivação central do nosso caderno de ferramentas. Acreditamos no território urbano como coletivo, produzido por e para os cidadãos, necessário para fomentar o princípio de que todas e todos temos direito a usufruir de seus espaços. Quando uma cidade é pensada a partir do desenvolvimento infantil, ensina para os seus habitantes que a infância é preciosa e necessita de cuidado, além de promover uma construção afetiva com as crianças que se refletirá na forma como elas próprias vão cuidar da cidade, agora e no futuro. Entendendo que todo território pode ser educativo, faz-se urgente a necessidade de repensarmos o modelo de cidade que desejamos oferecer para as nossas crianças, o que significa entender que, aumentando a segurança, acessibilidade, capilaridade e outros importantes indicadores, ampliamos a possibilidade de atingir a grande parcela da população. 

No intuito de tecer realidades possíveis, este material surge das especificidades locais expressadas no cenário da maioria das cidades brasileiras, pois compreendemos a existência de tensões e desafios nas intervenções urbanísticas, bem como o descompasso entre as realidades locais e as proposições de soluções técnicas para a vida urbana.

Criamos um jogo como uma proposta de construir uma ferramenta de linguagem de compreensão universal onde acadêmicos, técnicos, gestores públicos e a população consigam dialogar com a mesma ferramenta. A ação do jogo é ativar diversos sujeitos a construírem, durante a associação de cartas, possibilidades de cenários urbanos. O jogo surge como um artefato que possibilita compartilhar os variados desejos, anseios e necessidades para a cidade, associando-os a possíveis soluções. Não existe vencedor! o que está em jogo é compor em coletivo as próprias criações, encontrar modos próprios pertencentes a realidade local. O jogo é a autonomia de quem joga.

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